ATPS | Cuidados com o corpo, morte e luto | Judaísmo

GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM – PROCESSO DO CUIDAR I
Atividade Prática Supervisionada – ATPS
 

 Introdução


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A Constituição Federal de 1988 trouxe um papel muito importante para o direito à saúde no Brasil, visto que, de acordo com a Constituição, o Estado tem à responsabilidade de promover o acesso à todos, sendo um direito universal que pertence aos brasileiros e estrangeiros, que assim necessitarem, podendo utilizar os serviços de saúde de forma gratuita, a fim de promover o seu direito. Porém, mais que isso, é imprescindível ressaltar o respeito à cultura e aos aspectos espirituais de cada indivíduo como fator condicionante. Assim, faz-se necessário que tenhamos um mínimo de conhecimento sobre nosso paciente e seus valores.
Profissionais da saúde precisam estar conscientes de seu papel principalmente nos momentos finais de seu paciente, nesse caso, Judeu, respeitando sua crença, costumes, tradições como parte do processo saúde-doença, implicando tanto seu bem estar como de seus familiares.
Nesse contexto, falar-se-á do processo de cuidar (corpo, morte e luto), no atendimento aos Judeus. A pesquisa foi realizada em sites importantes desse grupo: A Chevra Kadisha do Rio de Janeiro que é uma Associação Religiosa Israelita cujo principal objetivo é prover sepultamento aos membros da comunidade judaica, segundo os rituais da tradição, bem como outros sites pessoais (de judeus), buscando compreensão de seus valores.


Quem são os Judeus?

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Para dar sentido ao nosso trabalho é necessário separar conceitos. A palavra 'Judeu' pode designar o habitante da Judeia (gentílico), etnicamente pode ser os descendentes de Judá, linhagem de Jacó, e por fim num sentido religioso: os adeptos ao Judaísmo.
Nossa tratativa será sobre este último conceito, pois, são povos que possuem modos característicos de vida e morte, com inúmeras restrições de comportamento ou hábitos.

Alimentação:
Kasher significa correto, justo, bom. Aplicado à comida, refere-se apropriada ao consumo, isto é, que preenche todos os requisitos da dieta judaica. A Kashrut não é um estilo de culinária. Comida chinesa, francesa, italiana, indiana, árabe ou qualquer outra podem ser kasher desde que preparadas de acordo com as leis judaicas. A comida tradicional judaica, pode ou não ser kasher, dependendo como foi preparada.
A Kashrut se desenvolve baseada em duas regras básicas. A primeira delas especifica o tipo de carne que pode ou não ser consumida. A proibição é muito clara no capitulo 11 do Levítico: "Entre todos os animais da terra, os que podereis comer: aqueles que têm os cascos fendidos e que ruminam." Ou seja, incluem-se aí vaca, carneiro, bode e cervo. As aves permitidas são o frango, o peru, o ganso, o faisão. Já o Deuteronômio, no capítulo 14 explica que nenhum crustáceo é kasher: "Comereis de tudo que há nas águas: tudo que tem barbatanas e escamas comereis; e tudo o que não tem barbatanas e escamas não comereis; é impuro para vós.
A outra grande regra consiste em não misturar carne com leite e derivados, seja na preparação, armazenamento ou consumo. A origem bíblica desta norma é encontrada no livro Êxodos, capítulo 19 que diz: "Não cozerás o cabrito no leite de sua mãe." Foi a partir desta regra que se classificou a comida kasher em 3 categorias: carne, leite e parve.
Carne: a carne kasher é singular em todos os aspectos, desde o tipo de animais que são permitidos até a maneira como são abatidos e preparados para o consumo. Os alimentos à base de carne são cozidos, manuseados e ingeridos separadamente dos alimentos à base de laticínios. Além disso, é exigido um período de espera de seis horas após comer todos os tipos de carnes e aves antes que qualquer laticínio possa ser ingerido. A categoria "carne" inclui a própria carne, as aves e os subprodutos, tais como ossos, sopas e molhos. Qualquer alimento feito de carne ou aves ou de produtos de carne e aves, é considerado como sendo de carne (fleishig ou Bassarí). Até mesmo uma pequena quantidade de carne em um alimento torna-o Bassarí. Existe um ritual para o abate dos animais; baseado no fato de que o sangue não deve ser consumido porque simboliza a própria essência e característica do ser humano, os rabinos concluíram que um animal que é morto para virar alimento deve ter seu sangue totalmente drenado. Para evitar que a proibição de comer sangue seja violada, é preciso que o sangue da carne seja extraído por um destes dois métodos. Primeiro: "deixar de molho e salgar" (chamado de kasherizar). Segundo: assar sobre ou sob uma chama ou num forno elétrico ou assadeira elétrica. Assim, todo o sangue é extraído.
Leite: todos os alimentos que contém leite, ou que são dele derivados, são considerados Chalavi ou Milchig. Isto inclui leite, manteiga, iogurte, quefir, coalhada e todos os queijos (variáveis segundo sua consistência) - duros, macios e cremosos. Mesmo uma pequena quantidade de laticínio em um alimento faz com que este alimento seja considerado Chalavi. Todos os derivados de leite requerem um certificado de Kashrut. Os alimentos de leite e de carne não devem ser preparados, servidos ou consumidos ao mesmo tempo. Utensílios separados são usados exclusivamente para laticínios. Recomenda-se um forno separado para assar ou tostar alimentos de leite.
Parve: as frutas, vegetais, cereais e todos os outros alimentos que constituem uma dieta e que crescem na terra, são parve e podem ser utilizados sem restrição. Os peixes também estão inclusos. "Podereis comer de tudo o que vive nas águas, seja nos mares ou nos rios, desde que tenha nadadeiras e escamas" (Vayicra' XI: 9). Os ovos também podem ser utilizados tanto com carne como com leite. Entretanto, qualquer gema de ovo que contenha uma gota de sangue não pode ser usada.
Vinhos: o vinho e o suco de uva, mais do que qualquer outra bebida, representam a santidade do povo judeu. São usados para a santificação do Shabat e Festas Judaicas. Qualquer subproduto que contenha vinho ou suco de uva, como vinagre de vinho, bala, geleia ou refrigerante de uva, conhaque e outras bebidas que possam ser destiladas ou misturadas com vinho, só poderão ser ingeridos quando possuírem supervisão rabínica confiável. Vinho feito por um judeu, que após seu preparo tenha sido fervido, não apresenta mais problemas de kashrut. Um suco de uva ou vinho de passas cujas uvas ou passas foram cozidas antes de extrair o suco é considerado vinho cozido.
Produtos industrializados: é imprescindível terem uma Supervisão Rabínica. Todos os alimentos processados requerem supervisão rabínica confiável que atestem que podem ser consumidos em acordo a lei judaica. Isto aplica-se a todo produto que passa por processo de fabricação (legumes congelados, bebidas, balas, biscoitos, etc).
Restaurantes, hotéis e afins: todo restaurante, hotel, etc, para ser kasher necessita de supervisão rabínica em sua cozinha, o que inclui a presença de pessoas shomrei Shabat, observantes do Shabat, que irão acender o fogo, orientar e fiscalizar a confecção de todos os ingredientes e sua preparação, até o consumo final.
Kashrut e a Saúde: a discussão em torno da validade racional das leis dietéticas também chegou ao âmbito da ciência médica. Algumas eminentes autoridades recomendam a kashrut por motivos higiênicos. Inúmeros técnicos sanitaristas consideram, hoje em dia, altamente meritória a exigência severa feita ao indivíduo responsável pelo abate de que examine a carcaça de todo animal que houver matado, a fim de verificar se há qualquer sinal de doença outra condição patológica. Consideram também importante o fato de que a carne deve ser consumida até poucos dias após o abate, evitando-se assim, os prejuízos à saúde que podem advir da carne estragada.
Kashrut e Higiene: a lavagem das mãos seguida de oração é um item obrigatório antes de preparar, cozinhar ou comer qualquer alimento. Escolher bem folhas de verduras, higienizar adequadamente as frutas, e averiguar a existência de qualquer tipo de larva ou verme tem sido tema de cursos e orientações a respeitadores das leis da kashrut. Estas normas, que há muitos anos são discutidas por sábios judeus, têm garantido com sucesso, a higiene e qualidade dos alimentos judaicos.

Vestes:
Kipá (Solidéu, Kipá ou Quipá) (em hebraico כיפה , cúpula, abóbada ou arco) ou Yarmulke (em iídiche יאַרמלקע , vindo de Ira Malka - Temor a Deus), é um pequeno chapéu em forma de circunferência utilizada no Judaísmo tanto como símbolo da religião como símbolo de "Temor a Deus". O Talmud enfatiza a necessidade de ter-se sempre este temor sobre nossas cabeças. A maioria dos judeus utilizam a kipá apenas em ocasiões solenes e de devoção, enquanto alguns utilizam o dia todo, ilustrando a necessidade de se honrar a Deus em todos os momentos da vida.
O surgimento da kipá e o sentido inicial do seu uso dentro do judaísmo até hoje não tem uma explicação satisfatória. No entanto durante muito tempo seu uso não foi obrigatório. Somente no século XIX, diante do perigo da assimilação, os ortodoxos instituiram a obrigatoriedade do uso. Certas ramificações como os Caraítas, não seguem este costume.
De acordo com a tradição, apenas homens devem utilizar kipá, ainda que nos tempos modernos, ramificações não-ortodoxas do judaísmo permitam que mulheres utilizem também a kipá.
Talit – טלית (no hebraico moderno), Talet (em sefaradi) ou "Talis" (em iídiche) é um acessório religioso judaico em forma de um xale feito de seda, lã (mais caro e elegante que o de seda) ou linho, tendo em suas extremidades as tzitziot (franjas). Ele é usado como uma cobertura na hora das preces judaicas, principalmente no momento da oração de Shacharit (primeiras orações feitas pela manhã). Também conhecido como "Talit Gadol" - טלית גדול é usado pelos homens no momento da oração na sinagoga e no momento da oração do Shacharit. O Talit isola o que esta orando do mundo a sua volta e facilita-o na em sua concentração durante a oração. Sobre o Talit se interpreta que um dos objetivos deste acessório é criar um ambiente de igualdade entre os que estão orando na sinagoga, tendo então concordância com uma cobertura homogênea que estaria sobre as roupas que as pessoas realmente estavam usando – que mostram a qualidade e o estado econômico do que ora.
Entre os asquenazitas, o costume de se cobrir com o Talit se reserva aos homens apenas após o casamento. De acordo com este costume, quando se está solteiro, é permitido cobrir-se com Talit só em ocasiões especiais, como no momento que eles são chamados para serem “Olim” - עולים (plural de “Olê” - עולה, denominação aos que são chamados para ler a Torá nas sinagogas). Os judeus orientais (também chamados de “mizrahim”) têm o costume de se cobrir com o Talit a partir da idade de treze anos, quando o menino faz o Bar Mitzvá ou até mesmo antes dessa cerimônia. Comunidades Conservadoras e Reformistas permitem também é às mulheres fazerem uso do Talit apesar da lei Judaica tradicional isentarem as mulheres dessa obrigação.
Há também um outro tipo de Talit denominado “Talit Katan” – טלית קטן – (Talit pequeno) conhecido também só pelo nome de “Tzitzit”, que é utilizado durante o dia inteiro por baixo da roupa no qual se está vestido, afim de cumprir este mandamento durando todo o dia.
A bandeira do Estado de Israel é baseada em um Talit (as duas faixas que a compoem), tendo uma Estrela de David ao centro dela.
Tzitzit (no hebraico ציצת ou ציצית ) é o nome dado à franjas do talit, que servem como meio de lembrança dos mandamentos de D'us.
Origem: o mandamento de tzitzit encontra-se em duas passagens da Torá: "Que façam para eles tzitzit (franjas) sobre as bordas das suas vestes, pelas suas gerações e porão sobre os tzitzit da borda um cordão azul celeste. E será para vós por tzitzit e vereis e lembrareis todos os mandamentos de D'us e os cumprireis e não errareis indo atrás do vosso coração e atrás dos vossos olhos, atrás dos quais vós andais errando; para que vos lembreis e cumprais todos os Meus mandamentos e sejais santos para com vosso D'us." (Números 15:38-41). "Franjas farás para ti e as porás nos quatro cantos de tua vestimenta com que te cobrires." (Deuteronômio 12:12)
Os judeus rabínicos utilizam hoje apenas tzitzot brancas, já que crêem que não seja possível obter a cor azul obrigatória do mandamento.Já os judeus caraítas utilizam o cordão azul e seus tzitzot não são presos à roupa , o que lhes permite retirá-los quando necessário.

Procedimentos comuns X Procedimentos específicos

O enfermeiro faz suas anotações de enfermagem deste paciente logo na admissão hospitalar, e assim, evidenciar eventuais restrições, período aproximado de internação, etc. Tão logo feito a entrevista, o enfermeiro estará ciente de possíveis óbitos, ou, situações que exijam certa sensibilidade de sua parte. Familiares devem estar cientes desse momento com todo amparo que a unidade de saúde dispor – conforto, respeito, esclarecimentos, etc.
Ao diagnosticar os últimos momentos do paciente, cabe ao enfermeiro, preparar-se para essa ocasião. Ao menos já sabe que não pode realizar todos os procedimentos de cuidados com o corpo pós-morte comuns aos demais pacientes.
Cuidados com o corpo pós morte é o preparo realizado no corpo após constatação do óbito. Sua finalidade é manter o corpo limpo e identificado, evitar saída de odores ou secreções e dispor o corpo em posição adequada antes da rigidez cadavérica após constatação médica do óbito – sem a qual não será possível prosseguir. É um procedimento de execução da enfermagem durando em média 20 minutos.
Para inicia-lo utiliza-se os seguintes materiais: bandeja grande; luvas de procedimento; etiquetas de identificação do óbito; algodão; pinça; tesoura; material para higiene; fita crepe; atadura de crepom; gaze não estéril; máscara cirúrgica; dois lençóis; avental não esterilizado ou capote descartável.
Descrição técnica: Observa-se o registro de constatação de óbito no prontuário; certifica-se a existência de contraindicação para o tamponamento do corpo (exceto judeus, em caso positivo aciona imediatamente a Chevra Kadisha – associação israelita especializada), não havendo restrições, prossegue-se à preencher a etiqueta de óbito, contendo: nome completo, registro, enfermaria e leito, data e hora do óbito e assinatura do profissional; realizar a higienização das mãos; separar uma bandeja para procedimento; separar o material de procedimento e colocar na bandeja; levar a bandeja até a unidade do paciente e coloca-la na cabeceira; apresentar-se ao acompanhante quando presente; checar os dados de identificação legíveis na pulseira do paciente; orientar o acompanhante em relação ao procedimento perguntando se o paciente quer acompanhar o procedimento ou não; oferecer ao acompanhante a opção de ver o corpo para despedir-se ou não; manter privacidade desse momento; usar biombos se necessário; colocar as luvas de procedimento, avental ou capote e máscara cirúrgica; desligar os equipamentos; posicionar o corpo em decúbito dorsal (ventre para cima); retirar sondas cateteres e drenos; proceder à higiene do corpo se necessário; realizar curativos locais se necessário; proceder ao tamponamento com algodão de ouvidos, nariz, orofaringe, região anal e vaginal, quando indicado; proceder decúbito dorsal horizontal com braços fletidos sobre o tórax; fixar mandíbula, punhos e tornozelos com atadura crepe; proceder à identificação colocando a etiqueta sobre o tórax do paciente; colocar um lençol sob o paciente e envolve o corpo, cobrindo-o completamente e fechando com a fita crepe (para judeus o lençol deve ser branco); coloca-se outra etiqueta sob o lençol novamente na altura do tórax do paciente; solicita-se o serviço de zeladoria para encaminhamento do corpo ao necrotério; lista-se e guarda-se todos os pertences do paciente para entrega à família, protocolando em impresso próprio. É importante manter a organização da unidade do paciente, desprezar o material utilizado nos locais apropriados, realizar higienização das mãos com água e sabão conforme protocolo da unidade de saúde, realizar as anotações necessárias, incluindo a data e hora do óbito, o nome do médico que constatou o óbito, manobras de reanimação e medicações utilizadas, assinando e carimbando o relato.
Após a morte o paciente pode apresentar esfriamento do corpo, manchas generalizadas de coloração arroxeadas (“livor cadavérico”), relaxamento dos esfíncteres, rigidez cadavérica.
Quando o paciente fizer uso de dentadura ou ponte móvel, colocá-la imediatamente após a morte, manter as pálpebras fechadas, fazendo compressão ou utilizando fita adesiva.

Capítulo 1 - O Vidui | Falecimento Primeiras Providências.

O Vidui (confissão) é recitado antes do falecimento conforme o texto de Ramban (Rabi Moshê bem Nachman), e demais recitações.
Se a hora está próxima, e a pessoa já não tem condição de recitar o Vidui completo deverá lembrar D’us como o Rei do Universo e da outorga da Torá no monte Sinai ao recitar a seguinte frase: Ribonô shel olam yehi ratson milefanêcha sheyihie shalom menuchati. “Senhor dos mundos, seja a vontade perante Ti, que será em paz o meu descanso." (…)

Logo após a morte, uma série de assuntos práticos e religiosos entram em efeito.
Os principais são:
  1. Respeito pela dignidade e santidade do corpo.
  2. O rápido retorno do corpo à terra.
  3. Ajudar e fortalecer a alma em sua contínua jornada espiritual.
Seguem-se orientações práticas sobre cuidados com os falecidos do livro “Os últimos Momentos” Por Rabino Shamai Ende

Após o falecimento:
  1. Pelo judaísmo, o falecimento se dá após a total parada cardíaca e cerebral. Mesmo após isto, não se deve tocar no falecido até aproximadamente 15 minutos após a morte para garantir que realmente faleceu. Quando não há médicos ou peritos no local, deve-se colocar uma pluma próxima das narinas, e esperar até esta ficar algum tempo sem se mover, fixando desta forma seu falecimento.
  2. Logo após o falecimento deve-se retirar todas suas roupas e cobri-lo com um lençol para não olharmos sua face. Com cuidado carrega-se o corpo até o chão, tomando o cuidado para não descobri-lo, colocando-o no chão sobre um lençol, deitado de costas, com os braços e pernas esticados ao longo do corpo, olhos e bocas fechados, (caso não for possível fechar sua boca, deve-se amarrá-la com uma fita) e a cabeça ligeiramente levantada sobre um apoio. Não se deve colocar travesseiros ou cobertores, para não esquentar o corpo. Deve-se posicioná-lo de forma tal que seus pés ficam voltados para a porta. Muitos costumam deixá-lo em posição diagonal, com os pés direcionados para a porta. Ao descê-lo ao chão deve-se pedir-lhe perdão pelo desrespeito, citando seu nome e nome de seu pai. Como também existem preces.
  3. Deve-se colocar próxima a sua cabeça velas acesas, de preferência 5 velas. Cobrem-se todos os espelhos e fotos humanas do local. As mulheres que não foram ao micvê após o período menstrual, devem evitar tocar no corpo. Como também os homens que manuseiam o corpo costumam ir ao micvê.
  4. É costume cobrir os espelhos e demais superfícies polidas (como quadros, fotos de pessoas envidraçados e televisão) na casa do enlutado, pois é proibido rezar na frente de espelhos. Além disso, segundo a cabala, a alma do falecido visita a casa durantes estes dias e faz aparecer a sua forma através do espelho. (Chevra Kadisha).
  5. É costume judaico entornar toda a água que se encontra em qualquer utensílio da casa onde ocorreu o falecimento. Também entorna-se a água dos utensílios da vizinhança, ou seja, das duas casas próximas à do falecido, tanto as casas da direita, da esquerda, e no caso de prédios, se for apenas um apartamento por andar, dos dois andares superiores e inferiores. Esta água não deve ser bebida, mas pode ser usada para lavar. Água fervida, congelada, gaseificada ou que contém alguma mistura não entram neste costume.
  6. A Chevra Kadisha local deve ser contatada imediatamente para as devidas providências, iniciando sem demora os preparativos necessários para o enterro [cuidados do corpo, sua lavagem - Tahará - e preparação para o enterro, aquisição do devido caixão, documentação, e procedimentos legais, velório e o próprio enterro. Existem situações em que deve-se chamar a Chevra Kadisha com urgência para evitar, por exemplo, que o corpo seja levado contra a vontade ao IML].
  7. [O corpo não deve ficar sozinho em hipótese nenhuma, de dia ou de noite, e ninguém deve comer, beber ou fumar no recinto em que ele se encontrar. Se o corpo estiver em uma geladeira, basta ficar próxima dela. Em hospitais, deve-se ficar atento aos diferentes procedimentos e exigir o devido respeito com relação ao corpo e às crenças e práticas religiosas do falecido.
Falecimento no Shabat:
Caso o falecimento ocorreu no Shabat, não se deve tocar no corpo desnecessariamente, porém costuma-se assim mesmo, despi-lo e coloca-lo no chão conforme dito acima, porém não se fecha-lhe os olhos nem se estica seus membros. Se for possível deve-se colocá-lo no chão ainda com roupa e somente depois despi-lo, ou colocar sobre ele algum objeto que possa ser manuseado no Shabat, ou até mesmo um pão ou qualquer comida. Não se fecha sua boca, porém pode-se amarrar uma fita (com um laço mas não com um nó) para a boca não abrir mais do que está. Não há necessidade de jogar fora a água da casa ou da vizinhança quando o falecimento ocorreu no Shabat. Não se deve contatar a Chevra Kadisha nem transportar o corpo no dia de Shabat.

Falecimento no Yom Tov:
  1. Quando ocorre o falecimento no primeiro dia de Yom Tov, deve-se tomar todas as providências possíveis para o enterro somente por intermédio de um não judeu. Porém a lavagem do corpo e a Tahará, pode ser feita através de um judeu, se este não profanará o Yom Tov para tanto. Pela lei, o transporte do corpo, o enterro e todas as preparações poderiam ser feitos através de um não judeu, sendo que nenhum judeu pode profanar o Yom Tov para tanto. Já no segundo dia de Yom Tov as leis são um pouco diferente. Tudo que pode ser feito através de um não judeu, como cavar a cova, preparar o caixão e as mortalhas, cobrir com terra, deve ser feito através de um não judeu. No entanto, se não dá para fazer por um não judeu, pode ser feito por um judeu, todo trabalho extremamente necessário. Porem é proibido ir ao cemitério de carro para acompanhar o enterro, como exceção dos que são necessários para o enterro (membros da Chevra Kadisha, coveiros, etc.).
  2. No entanto, para evitar Chilul (profanação do) Yom Tov, como também para não faltar na honra do falecido (já que muitas poucas pessoas chegariam ao cemitério sem profanar o Yom Tov), não costumamos atualmente realizar enterros no Yom Tov. Somente num caso que tem se certeza que não haverá chilul Yom Tov, e quando o corpo está em estado de putrefação avançado, permite-se fazê-lo no segundo dia de Yom Tov conforme as leis acima.
Honra ao morto:
  1. O corpo judaico tem em si uma santidade especial devendo ser tratado com respeito.
  2. É proibido comer ou beber qualquer alimento no ambiente onde se encontra um morto, salvo se houver entre a pessoa e o morto um anteparo de pelo menos 80cm de altura. Como também não se recita no local nenhuma berachá. Em caso de grande necessidade, pode se comer no local, contanto que se vire de costas para o morto e se afaste pelo menos 2m do morto antes de recitar uma bênção.
  3. É proibido fumar ou cheirar rapé perante o morto.
  4. Não se deve estudar Torá, colocar Tefilin ou Talit perante o morto, salvo se afastar do mesmo 2m. Porém pode recitar Tehilim e trechos sagrados na hora da lavagem, já que isto é feito em honra ao mesmo. Como também, pode se falar trechos da Torá e do Talmud nos discursos fúnebres (hespedim), já que isto é feito em honra do falecido.
A guarda do corpo (Shmirá):
  1. A partir do momento do falecimento, até o enterro, é proibido deixar o corpo desacompanhado. Mesmo que até o enterro irá demorar vários dias, e mesmo que não há nenhuma suspeita que algo de mal possa ocorrer com o corpo, este deve estar sempre acompanhado por um Shomer (responsável pela guarda), (Consta no Maavar Yabok (1, 24) que o motivo disto é que ao encontrar um corpo desacompanhado, os espíritos de impureza se apoderam dele e o impurificam, já que estes foram criados sem corpo, e desejam se apossar de um, principalmente quando este tiver a santidade judaica) tanto durante o dia como durante a noite.
  2. Este shomer deve constantemente recitar Salmos e outras preces próximo do falecido, sendo proibido conversar perto do morto assuntos que não diz respeito ao enterro e suas preparações. Como também, é proibido cumprimentar alguém, ou responder a um cumprimento perante o morto e comer ou fumar no local. Este shomer está isento de recitar o Shemá e de rezar e de qualquer outra obrigação da Torá (como colocar Tefilin por ex.) enquanto está ocupado com a guarda do corpo (logicamente que é proibido transgredir qualquer proibição). Porem se duas pessoas estão fazendo a shemirá, devem se intercalar sendo que enquanto um fica cuidando o outro sai para recitar o Shemá, rezar e colocar o Tefilin. Quando o período de guarda é longo, ou quando se passa uma noite, aconselha-se a designar dois shomrim para que enquanto um cuida o outro possa descansar e dar uma saída se for necessário, evitando que o falecido fique desacompanhado sequer um minuto. Mesmo se o corpo pernoita numa câmara fria, deve-se ter um shomer próximo.
  3. Se o morto se encontra em um local que pode ser desprezado ou destruído, por ex. próximo de um incêndio ou num local onde existem ratos, ou em praça pública, deve-se retira-lo de lá, levando-o para um local seguro e protegido.
  4. Mesmo durante o Shabat há necessidade desta shmirá, caso o falecimento tenha ocorrido no Shabat, ou se passou um Shabat antes do enterro. No entanto é proibido manusear [O corpo é considerado no Shabat muktsê, ou seja, algo proibido por nossos sábios de manusear no Shabat. Só é permitido manusear no Shabat, pessoas, alimentos e utensílios de uso permitido. As leis de Muktsê são muito extensas, não sendo aqui o local para descrevê-las] ou transportar o corpo no Shabat mesmo se for necessário por causa dos cohanim que se encontram no local, devendo estes saírem do local.
  5. No caso que os parentes desejam transportá-lo para outro local por alguma necessidade, devem fazê-lo por intermédio de um não judeu. Porém, se o morto se encontra em um local de desprezo ou não seguro, ou se desejam colocá-lo na câmara fria para que não cheire mal, e não há condição de fazê-lo por intermédio de um não judeu, pode ser transportado por um judeu por intermédio de suas roupas, que não são muktsê, ou colocando sobre sua cama algum objeto ou comida não muktsê. Mas mesmo neste caso, não pode transportá-lo passando por uma rua, ou qualquer praça pública que não se pode carregar nela no Shabat pela Torá, somente por intermédio de um não judeu se for necessário. Como também no Shabat é permitido colocar gelo sobre o corpo e até mesmo pedir a um não judeu comprar ou trazer gelo para este fim.
  6. Durante todo o tempo do velamento do corpo, desde o falecimento até a lavagem, o corpo e a cabeça devem estar totalmente cobertos. As pessoas que se encontram no local estão totalmente proibidas de conversar, cumprimentar, comer, fumar ou fazer qualquer estudo ou mitsvá perante o corpo, a não ser recitar Tehilim e preces em prol do falecido. Quem não tem certeza que se portará no recinto da forma devida, não deverá permanecer no local.

Capítulo 2 - Velório | O Enlutado e o Pranteado

No ambiente hospitalar muitas pessoas costumam consolar-se uns aos outros. Não é indicado oferecer condolências à um judeu, deixar o corpo do falecido exposto é considerado desonra e um desrespeito, não importa a boa-fé. Tão logo constatado óbito o corpo deve ser coberto com um lençol branco. Deve-se acender velas no castiçal e mantê-las acesas até a saída do féretro (caixão). Antes disto o corpo não deve ser deixado sozinho, nem à noite, e é proibido comer, beber, ou fumar no recinto em que este se encontrar. No tocante ao envio de flores, este é um procedimento não contumaz no judaísmo; flores ou coroas de flores que porventura sejam enviadas em honra do falecido (principalmente por não judeus), devem ser aceitas mas não colocadas sobre o caixão ou levadas ao cemitério, e sim colocadas numa sala próxima ao velório. Se desejam honrar ao falecido, faça-se doações à entidades beneficentes: a caridade proporciona conforto espiritual à alma perante D’us.
Acompanhar um cortejo fúnebre (Levaiá) e levar um morto à sua última morada é um dever tão sagrado que permite, ate mesmo, em alguns casos, interromper o estudo da torá. O carro que transporta o féretro para o cemitério deve ir à frente; nele devem ir também correligionários para evitar que o corpo fique sozinho.

Quem Está Enlutado?
A Lei Judaica considera formalmente o enlutado como sendo aquele que perdeu qualquer um dos sete parentes próximos relacionados em Vayicrá (21:1-3): pai, mãe, esposa (ou marido), filho, filha, (casados ou solteiros), irmão e irmã (ou meio-irmão e meia-irmã). A Torá originalmente enumerou estes relacionamentos com respeito à impureza ritual do cohen ou sacerdote. O sacerdote que normalmente não tinha contato com os mortos tinha, no entanto, permissão de impurificar-se para enterrar estes parentes. A Tradição Oral considerava que esses relacionamentos se aplicam também às leis do luto.
  1. Pais adotados. Não há exigência de enlutar-se por pais, irmãos ou irmãs adotivos, ou filhos adotivos. Mas embora não haja obrigação legal de luto, há o "luto em simpatia", ou seja, abstenção de festejos e atividades semelhantes a fim de demonstrar tristeza.
  2. Menores de idade não têm obrigação de observar as leis de luto. Assim, um menino até os treze anos e uma menina até os doze não precisa "sentar" shivá, nem seguir os outros costumes. No entanto, suas roupas devem ser rasgadas, e deveriam ser encorajados a restringir de alguma forma suas atividades diárias. Este procedimento deve ser seguido especialmente no caso de crianças mais amadurecidas, embora ainda sejam menores.
Noiva e Noivo
  1. Durante os primeiros sete dias completos após o casamento, noiva e noivo ainda não estão obrigados a observarem as leis do luto, mesmo por um dos pais, porém eles comparecem ao serviço de funeral. No entanto, logo após estes sete dias, eles devem começar a observância de shivá e sheloshim. A lei distingue entre um caso no qual a morte ocorreu antes do início de Shevá Berachot (sete dias de festejos), e um caso onde a morte ocorreu no meio dessa semana. No primeiro caso, a noiva ou noivo começam o período completo de shivá e sheloshim imediatamente depois que termina a semana de comemorações. Neste caso, ele ou ela se juntam ao restante da família que está observando shivá e termina a observância de shivá junto com eles. Uma viúva e um viúvo têm um período formal de comemorações de três dias, em vez de sete, após o casamento.
  2. Se um feriado, que normalmente anula o período inteiro de shivá, ocorrer durante a semana de festejos que é co-extensiva com shivá, os noivos devem mesmo assim, cumprir shivá depois do feriado. Assim, se o casamento foi na noite do sábado e a morte do parente ocorreu no domingo, o feriado que cai naquela semana anula o período de shivá apenas para aqueles que observaram o período de luto. Porém os noivos, como não foram obrigados, e não cumpriram formalmente o luto, devem observar a shivá completa após a conclusão do feriado.
  3. Os noivos não rasgam a roupa até depois de Sheva Berachot. No entanto, eles recitam a bênção”Dayan haEmet” ("O Verdadeiro Juiz") com os outros enlutados no serviço de funeral, pois esta é uma expressão de dor imediata e espontânea, e não pode ser retardada de propósito.
  4. Durante sheva berachot eles, tecnicamente, não são considerados enlutados. Pela lei, eles não precisam ser visitados e consolados como se faz com outros que observam shivá.
  5. Os noivos não precisam acompanhar um pai falecido ao cemitério, mas mesmo assim, devem seguir o carro funerário da casa ou da funerária durante vários quarteirões, de modo a prestar homenagem ao pai.
  6. O noivo é obrigado a colocar tefilin mesmo no dia após a morte, o que não é obrigatório para os outros enlutados, pois ele é considerado como estando em período de festas e não de luto.
  7. No caso da morte de um pai da noiva ou do noivo antes da cerimônia do casamento, ou mesmo após a cerimônia, mas antes da consumação do casamento, deve-se consultar uma autoridade competente.
  8. Todos esses casos acima citados se aplicam aos noivos durante seu período formal de sete dias, sheva berachot, quando reservaram esses dias exclusivamente um para o outro. Se, no entanto, eles retornaram ao trabalho ou escola antes da morte, mas durante Sheva Berachot, estão obrigados a ficar de luto da maneira usual.
Parceiro Divorciado:
Um parceiro divorciado não precisa observar qualquer lei de luto, e não precisa comparecer ao funeral. Se um dos parceiros pensou em divórcio, mas não tomou ação legal, está obrigado a se enlutar. Se ambos concordaram em princípio com o divórcio, e definitivamente estão determinados a ir em frente com isso, embora nenhuma ação legal tenha tido início, não há exigência de luto.

Convertidos ao Judaísmo:
Não há obrigação para o convertido ao Judaísmo de se enlutar por seus pais não-judeus da maneira prescrita pela Lei Judaica. Embora se espere que o convertido demonstre respeito pelos seus pais naturais, ele é, mesmo assim, considerado afastado deles religiosamente. A dor que o convertido expressa embora não tecnicamente exigida pela Lei Judaica, deveria possuir um caráter marcantemente judaico. Portanto:
  1. O convertido pode recitar cadish se assim o desejar. É preferível, no entanto, como o falecido não era judeu, que ele recite um Salmo, ou estude uma porção da Torá em honra do falecido, como é costume em yahrtzeits. A decisão de adotar um modo ou outro cabe ao enlutado.
  2. Da mesma forma, os procedimentos de shivá não devem, de preferência, serem observados como no luto completo por um pai judeu. A observância total pode indicar aos amigos, não intimamente ligados com a família, que o pai era judeu. Isso pode causar o surgimento de dificuldades. Por exemplo, poderia encorajar o casamento do convertido com um cohen que não suspeita disso, e estaria induzindo a uma união que não é permitida.
  3. O judeu convertido não deve sentir que suas emoções de dor devam ser restringidas por causa da diferença religiosa. É apenas a observância religiosa que está em causa. De fato, aqueles enlutados que são convertidos deveriam receber uma atenção especial durante esse período.
Quais Parentes São Pranteados?
Uma vida com duração superior a 30 dias estabelece o ser humano como uma pessoa viável. Se uma criança morre antes desse tempo, é considerada como não tendo vivido de todo, e nenhuma prática de luto é observada, embora a criança tenha sido normal, mas morreu acidentalmente.
Qualquer ser humano que tenha vivido além desse período mínimo deve ser pranteado. Existem, no entanto, várias exceções.

Apóstatas
Um desertor da fé, que censura abertamente o Judaísmo, e adota outra religião sem compulsão, não pode ser enterrado num cemitério judaico nem se deve adotar o luto por ele. Para todos os efeitos e propósitos, sua deserção é aceita como separação verdadeira da fé e da comunidade, e portanto, não é honrado pela comunidade. Permitir o enterro ou qualquer outra observância religiosa para um apóstata deixaria a porta aberta encorajando a deserção de outros. Saber que todos os privilégios e honras do povo judeu não serão conferidos ao apóstata serve como um freio àqueles que consideram das num cemitério judaico. Leia sobre cremação.

Capítulo 3 - Corpo: o invólucro da alma | Os últimos momentos.
Por Rabino Shamai Ende – do livro “Os Últimos Momentos”

O corpo judaico tem em si uma santidade especial por ter sido este um invólucro para alma, por este motivo ele deve ser tratado com respeito. Muitos judeus, que mesmo que por qualquer motivo não foram praticantes durante a vida, não abrem mão de serem enterrados em um kever Yisrael (cemitério judaico), fazendo de tudo para poder cumprir pelo menos esta Mitsvá.
Muitos judeus em nossa história colocaram em risco a própria vida para garantir o enterro de parentes ou conhecidos em cemitérios judaicos. O motivo para tanto é por que após a morte a alma se encontra no mundo da verdade, e todo judeu sabe que a verdade se encontra no cumprimento da vontade Divina.
Qual é o motivo para darmos tanta importância ao corpo judaico se afinal de contas o principal é a alma e sem esta o corpo não deveria ter nenhum valor?
Maimônides escreve em seus Princípios da Fé Judaica, que um dos fundamentos do judaísmo é acreditar que D’us irá ressuscitar os mortos na era pós-messiânica, devolvendo a vida a todos que cumpriram a sua missão enquanto estavam neste mundo, para que possam aproveitar dos prazeres Divinos da era messiânica e do mundo vindouro, que conforme a ideia de Nachmanides será neste mundo material.
Na verdade, logo após o falecimento, a alma do justo adentra o Gan Eden (paraíso), desfrutando lá de um imenso prazer Divino, ficando lá para a eternidade. Sendo assim, por que motivo a alma deixará este ambiente para voltar a habitar o mundo material na era da ressurreição?  A chassidut explica, que apesar da alma judia se encontrar num nível elevadíssimo, sendo considerada uma partícula Divina, o corpo judeu tem uma fonte Divina muito mais elevada, sendo que somente através dele podemos cumprir a vontade Divina, que é cumprir Suas Mitsvot justamente neste mundo material.
Na época da ressurreição, será revelado o nível espiritual do corpo, sendo que a alma deixará o Gan Eden e todos seus prazeres para desfrutar de um prazer muito mais intenso que é a verdadeira recompensa das mitsvot, que se dará justamente neste mundo material, com a alma dentro de um corpo. Daqui entendemos realmente a importância do corpo judaico.
O judaísmo considera uma pessoa morta somente quando seu coração e cérebro cessaram completamente de funcionar. Antes disso, ela é considerada viva, mesmo estando agonizante ou em estado de coma. Nada pode ser feito para apressar o seu fim, pelo contrario; deve-se fazer todas as tentativas médicas possíveis para mantê-la viva e salvá-la.
É considerado um ato de extrema bondade permanecer junto a uma pessoa nessas condições não permitindo que ela deixe este mundo estando sozinha. Não se deve permanecer parado atrás de sua cabeça e nem ao lado de seus pés. É proibido tocar em um moribundo.
Amigos e familiares que não conseguem controlar o choro devem ser retirados do recinto e aguardar do lado de fora.
Costuma-se rezar junto ao leito para trazer consolo espiritual àquele que está prestes a partir, no caso de ainda ser capaz de ouvir as palavras sagradas, ou como um “acompanhamento” para a alma que se separa do corpo, no caso em que já tiver perdido a consciência.

Conclusão

Assim como um recém-nascido é imediatamente lavado e entra neste mundo limpo e puro, também aquele que parte deste mundo deve ser limpo e purificado através de um ritual religioso chamado taharah (purificação).
O corpo não deve ser cremado, e os órgãos e fluidos não devem ser removidos. Deve ser sepultado na terra. É proibido embalsamar o corpo, pois o sangue do morto faz parte dele e deve ser enterrado com ele. Dentes de ouro, dentadura, lentes de contato e próteses devem ser retirados do corpo e não serem enterrados com ele. O corpo é completamente limpo e envolto numa mortalha simples branca de linho comum. Os Sábios decretaram que tanto a roupa como o caixão devem ser simples, para que um pobre não receba menos honra na morte que uma pessoa rica. O corpo é envolto num talit com seus tsitsit, franjas, rasgadas para torna-los inválidos. Não-judeus, sob nenhuma circunstância, podem realizar estas tarefas sagradas de preparar o corpo, pois o ritual de tahará não é mera higiene – é um ato religioso judaico. Os caixões não são obrigatórios, mas se forem usados, devem ter buracos para que o corpo possa entrar em contato com o solo. É aconselhável que membros da família imediata se ausentem durante a purificação, pois embora sua presença pudesse constituir um símbolo de respeito, é considerado muito doloroso para assistirem.
Conhecendo esses aspectos da cultura judaica, a equipe de enfermagem garante o respeito ao seu paciente, pois um trabalho realizado com respeito e amor será para sempre lembrado neste momento único.

REFERÊNCIAS

Falando sobre Judaísmo: Velório | O Enlutado e o Pranteado
SHAMAI, Ende. RABINO: Livro “Os últimos momentos”.
Site do Beit Chabad, www.chabad.org.br
FISBERG, Mauro, KACHANI, Adriana Trejger. Kashrut: Uma revisão bibliográfica. Revista Nutrição em Pauta: JAN/FEV 2003. PAG 42 A 48
BIRNBAUM, Rabino Eliahu, ROSENBERG, Prof Shalom. O que é Cashrut? Editora Sefer, 2003.




Processo do Cuidar I - Cuidados com o corpo, morte e luto | Judaísmo

8062788693 - Adriana Kondrat
8406168495 - Aliane Marques
9911176534 - Ana Paula Gerez
8094887549 - Luiz Hideo
9024438881 - Maria Cleonice
8208946498 - Soraya Nogueira
8074844161 - Taciana Soares
2983565372 - Rosimeire Santana
Professoras: Kátia Benites e Carolina Aranão

Anhanguera Educacional | Ano 2015

Exercício sobre o Tecidos

GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM – HISTOLOGIA E EMBRIOLOGIA
Estudo em casa

Exercício sobre o Tecidos

 
Questão 1 - (UFOP-2009/1) O corpo humano é constituído por aproximadamente 240 diferentes tipos de células, organizadas em quatro principais tecidos: epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso. Sobre esses tecidos, assinale a alternativa errada:
a) O tecido epitelial tem origem ectodérmica e é formado por células fortemente aderidas umas às outras, o que lhes permite conferir proteção contra o atrito e contra a entrada de micro-organismos no corpo.  X
b)  O tecido conjuntivo tem origem ectodérmica e mesodérmica e compreende uma grande variedade de tipos celulares, como os fibroblastos, osteoclastos e plaquetas, envolvidos por uma matriz extracelular abundante e diversificada.
c) O tecido muscular tem origem mesodérmica e é formado por três tipos diferentes de fibras musculares, que em comum têm o fato de conterem grande quantidade de proteínas do tipo actina e miosina em seus citoplasmas.
d) O tecido nervoso tem origem ectodérmica e sua principal célula é o neurônio. Estes neurônios frequentemente apresentam bainha de mielina produzida por dois outros tipos celulares, os oligodendrócitos e as células de Schwann.
e) B e D estão corretas.
O tecido epitelial pode ter origem ectodérmica, endodérmica ou mesodérmica, dependendo da sua localização.

Questão 2 - (PUC-SP) Os tendões são estruturas formadas, principalmente, por tecido:
a) Ósseo                 b) Muscular                  c) Adiposo                  d) Conjuntivo X               e) Cartilaginoso.

Questão 3 - Marque (V) para verdadeiro ou (F) para falso:
( F ) O tecido epitelial é bem vascularizado, ou seja: é rico em vasos sanguíneos.
( V ) O tecido muscular liso se contrai involuntariamente.
( F ) O tecido sanguíneo é composto por plasma, eritrócitos (glóbulos brancos), leucócitos (glóbulos vermelhos) e plaquetas.
( V ) O tecido conjuntivo é dividido em tecido conjuntivo propriamente dito, adiposo, cartilaginoso, ósseo e hematopoiético.
( F ) Quanto aos neurônios, o axônio é ramificado, sendo responsável pela recepção de estímulos nervosos.
O tecido epitelial não é vascularizado; eritrócitos, ou hemácias, são os glóbulos vermelhos, e os leucócitos, glóbulos brancos; e são os dendritos que possuem as características citadas na letra E.

Questão 4 - Associe as duas colunas:
a) Tecido epitelial                   ( d) Células alongadas, ricas em actina e miosina.
b) Tecido conjuntivo               ( a) Suas células estão justapostas e não apresentam vasos sanguíneos.
c) Tecido sanguíneo                ( e) Basicamente sem substância intercelular.
d) Tecido muscular                  ( c) As células se encontram imersas na substância intercelular, que se apresenta em estado líquido.
e) Tecido nervoso                   ( b) Diversos tipos de células imersas em material intercelular (matriz), de consistência variável.

Questão 5 - (UNIPAC/2002) Suponha que um médico, analisando um hemograma, tenha detectado que certo indivíduo apresentava anemia, tendência à hemorragia e infecção. Considerando seu conhecimento sobre os elementos figurados do sangue, assinale a alternativa referente ao número (maior ou menor) desses elementos que permitiu ao médico a conclusão sobre os problemas do paciente em questão (alternativas na tabela)
Questão 5Letra b) Pessoas com anemia apresentam hemácias com concentração abaixo de 4,5 por mm³. As com tendência à hemorragia geralmente têm níveis abaixo de 150.000 plaquetas por mm³. Já as pessoas com alguma infecção apresentam seus leucócitos em níveis mais altos (próximo ou maior do que 10.000 por mm³).

Questão 6 - Os epitélios podem ser classificados a partir de diferentes critérios. De acordo com as formas de suas células, eles podem ser classificados em:
a) Pavimentoso, estratificado e simples.                  b) Cúbico, prismático e estratificado. 
c) Ciliado, estratificado e pseudoestratificado.         d) Simples, ciliado e secretor. 
e) Cúbico, pavimentoso e prismático. X

Questão 7 - Alguns epitélios, como os da traqueia, são chamados de pseudoestratificados. Essa denominação é dada aos epitélios que:
a) possuem mais de uma camada de células.              b) possuem poucas camadas de células.                          c) possuem todas as células altas.
d) possuem células de diferentes alturas. X                e) possuem apenas uma camada de células, todas cúbicas.
Os epitélios pseudoestratificados possuem células com diferentes alturas, o que faz com que tenhamos a falsa impressão de que eles são formados por várias camadas
Questão 8 - Observe atentamente o esquema de tecido epitelial proposto a seguir e marque a alternativa que indica corretamente a sua classificação:epitelio
a) O epitélio esquematizado é pseudoestratificado prismático.
b) O epitélio esquematizado é cúbico estratificado.
c) O epitélio esquematizado é estratificado pavimentoso.
d) O epitélio esquematizado é pavimentoso simples.
e) O epitélio esquematizado é cúbico simples. X possui apenas uma camada.
 
Questão 9 - Quando nos referimos a um epitélio como estratificado pavimentoso, estamos dizendo que ele:
a) possui apenas uma camada de células em formato de cubo.
b) possui mais de uma camada de células em formato de prisma.
c) possui células com diferentes alturas e formato alongado.
d) possui mais de uma camada de células achatadas. X
e) possui mais de uma camada de células em formato de cubo.
O termo estratificado é usado para indicar que o epitélio possui mais de uma camada de células. Já o termo pavimentoso relaciona-se com o formato achatado das células.

Questão 10 - (PUC Rio 2008) O tecido epitelial tem como função fazer o revestimento de todos os órgãos do corpo. Neste sentido, pode-se afirmar que:
a) é ricamente vascularizado.                                 b) suas células são anucleadas.
c) suas células encontram-se justapostas. X         d) apresenta junções celulares como as sinapses.
e) possui grande quantidade de substância intercelular.
 
Questão 11 - Entre as principais funções do tecido epitelial, estão:
a) Sustentação, transporte e secreção                   b) Transporte, revestimento e receptores                    c) Secreção, transporte e contração.
d) Revestimento, secreção e contração. X              e) Percepção de estímulos, secreção e transporte.

Questão 12 - Como se dá o processo de renovação do tecido epitelial? A renovação do tecido epitelial se dá através de mitoses sucessivas e constantes.

Questão 13 - De acordo com a quantidade de camada celular, como podem ser classificados os tecidos epiteliais? Estratificado, uniestratificado e pseudo-estratificado.
 
Questão 14 - De acordo com a forma das células, como podem ser classificados os epitélios?  Quanto a forma das células, os epitélios podem ser classificados em: Pavimentosos (células achatadas), cúbicos (células em forma de cubo) e prismáticos (células em forma de coluna)
 
Questão 15 - Epitélio que reveste o intestino delgado e o esôfago? Epitélio Cilíndrico Simples.
 
Questão 16 - Como são chamadas as células que secretam muco? Mucosa.

Questão 17 - (UDESC 2008) O organismo animal é constituído por um conjunto de tecidos que formam diferentes órgãos. Em relação a esses tecidos, é incorreto afirmar que o tecido:
a) conjuntivo possui riqueza de material (matriz) extracelular, com numerosas fibras de colágeno, reticular e elastina, que oferecem preenchimento e sustentação dos órgãos.
b) ósseo apresenta riqueza de cálcio e fosfato e oferece proteção a alguns órgãos importantes, como o pulmão e o cérebro.
c) muscular é constituído por fibras protéicas, muitos vasos sanguíneos e ausência de nervos. X
d) capaz de realizar as funções de revestimento e secreção é o tecido epitelial.
e) adiposo possui células que podem estar agrupadas ou isoladas no organismo, e está relacionado ao armazenamento de energia e proteção térmica.

Questão 18 - (UFF 2010) As glândulas multicelulares se formam a partir da proliferação celular de um tecido e, após a sua formação ficam imersas em outro tecido, recebendo nutrientes e oxigênio. De acordo com o tipo de secreção que é produzido, as glândulas são classificadas basicamente em endócrinas e exócrinas. Entretanto, existe uma glândula que possui duas partes, uma exócrina e outra endócrina. A figura abaixo mostra um esquema comparativo da formação de dois tipos de glândulas.
Com base na figura, assinale a opção que identifica, respectivamente, o tecido de onde as glândulas se originam, o tecido onde elas ficam imersas, a glândula I, a glândula II e um exemplo de uma glândula exócrina.
a) Tecido epitelial, tecido conjuntivo, glândula exócrina, glândula endócrina e glândula salivar. X
b) Tecido conjuntivo, tecido epitelial, glândula exócrina, glândula endócrina e tireoide.
c) Tecido epitelial, tecido conjuntivo, glândula endócrina, glândula exócrina e pâncreas.
d) Tecido conjuntivo simples, tecido epitelial, glândula endócrina, glândula exócrina e paratireoide.
HAM, Arthur W. Histologia. RJ: Guanabara Koogan. 1977.
e) Tecido conjuntivo frouxo, tecido epitelial, glândula endócrina, glândula exócrina e glândula lacrimal.
 
Questão 19 - (PUC-RIO 2009) A fotomicrografia apresentada a seguir é de um tecido que apresenta as seguintes características: riqueza de substância intercelular, tipos celulares variados e presença de fibras na matriz extracelular. Podemos afirmar que se trata do tecido:
a) nervoso.
b) epitelial
c) conjuntivo. X
d) cartilaginoso.
e) muscular.
 

Visões sobre a doença, a morte e a vida

GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM - ARTIGOS


Visões sobre a doença, a morte e a vida


Os Rikbaktsa acreditam que há uma permutação de "almas" entre os seres do mundo físico. Assim, o destino dos mortos é diferenciado segundo a vida que tiveram como seres humanos. Alguns voltam de novo como seres humanos (até mesmo como "brancos") ou encarnados como macacos "da noite" (um dos poucos animais que eles jamais caçam); outros, que foram pessoas más em vida, voltam como animais perigosos aos homens, como a onça ou cobras venenosas. Por outro lado, os seres existentes um dia foram humanos e seus mitos registram como foram transformados definitivamente em animais. Assim, os porcos, a anta, as araras, os pássaros e até a lua já foram gente.
As centenas de histórias que formam o tecido mítico que dá forma e sentido à vida Rikbaktsa são recontados constantemente pelos mais velhos e até as crianças se orientam por eles na sua relação com o meio físico e social envolvente, procurando manter a harmonia de suas atividades com a ordem imanente do cosmos, retratada nos seus mitos.
A doença é vista como um desequilíbrio resultante da quebra de tabus (isto é, atos que ferem a harmonia ou a ordem imanente do mundo) ou como produto do feitiço, ou de envenenamento provocado por algum inimigo. As técnicas curativas tradicionais se baseiam no uso de inúmeras plantas com qualidades medicinais e em purificações rituais.
Todas as atividades de caça, coleta, pesca e agricultura se inserem nesse universo de significação e são ritualizadas no ciclo de cerimônias ritmadas pelo ano agrícola. Neles, a música, as canções e os enfeites plumários tem uma importância fundamental, expressando de forma sensível seu universo social e mítico, suas formas de sensibilidade afetiva, estética e religiosa. No processo de retomada de sua dignidade étnica, os rituais, a música e as narrativas míticas revestem-se de importância crucial, expressando e constituindo o núcleo de coesão e identidade que lhes permite enfrentar as transformações induzidas pelo contato, sem desintegrar-se como povo de cultura e história originais.
Há a festa do milho verde em janeiro, a festa da derrubada em maio e festas menores pontuando toda a seqüência de atividades anuais. O ponto alto do ciclo ocorre em meados de maio, quando as metades e os clãs aparecem com suas pinturas corporais, enfeites plumários e toques de flauta característicos. Nessa ocasião encenam-se episódios míticos e também episódios de lutas vividas na história recente por homens da comunidade.
Os Rikbaktsa são exímios tocadores de flautas e as canções tradicionais apropriadas são tocadas em todas as festas.


Rikbaktsá

Dicas de uso


Olá!

  • Economize tinta! A natureza agradece... Para imprimir somente o texto basta selecionar a parte desejada e clicar com o botão direito do mouse 'imprimir' e pronto (se tiver a opção visualizar, melhor ainda)
  • Procure as aulas segundo o dia da semana (no caso da minha grade escolar) e escolha a data desejada.
  • Para dar sugestões, informar erros e outros utilize o formulário de contato na lateral (direita do leitor) na parte inferior.


Métodos Físicos de Controle de Microorganismos

GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM - MICROBIOLOGIA E IMUNOLOGIA
Estudo em casa

Métodos Físicos de Controle de Microorganismos



O controle de microorganismos se refere às diferentes formas de matar ou remover os microorganismos, reduzir o número e inibir o crescimento. O método de escolha depende do tipo de material que contém o microrganismo. Este controle pode ser feito através de métodos físicos e métodos químicos. Abaixo estão os principais métodos físicos.

Calor: Quando uma população de bactérias é submetida ao calor, suas proteínas são desnaturadas. Há fluidificação dos lípideos na presença de calor úmido. Os microorganismos são considerados mortos quando perdem a sua capacidade de se multiplicar de forma irreversível. Quando falamos de calor seco, oxidação. Porém devemos levar em consideração que cada microorganismo responde de uma forma, de acordo com sua resistência, quantidade e estágios metabólicos. O método a ser escolhido deve ser aquele mate as formas mais resistentes de microorganismos. Os três parâmetros que podem expressar essas diferenças: temperatura, tempo e grau de resistência.

Quando uma população microbiana é submetida ao calor, a redução do número de indivíduos viáveis ocorre de forma exponencial. Portanto, quanto mais tempo se passar exposto ao calor, menor a quantidade de microorganismos em determinado meio. Segundo Flavio Alterthum, um material será considerado estéril quando trabalhamos na faixa de probabilidade de encontrar um indivíduo vivo é de 1/10-6 (um para um milhão).

Calor úmido
a) Fervura: O mecanismo de ação da fervura é a desnaturação de proteínas. Não é um método de esterilização, mas após cerca de 15 minutos de fervura pode matar uma grande quantidade de microorganismos, mas não é eficaz contra endósporos bacterianos e alguns vírus. Normalmente este método é utilizado em desinfecções caseiras, preparo de alimentos, etc.
b) Autoclavação: O mecanismo de ação da autoclavação é a desnaturação de proteínas. Se os materiais a serem submetidos à autoclavação não forem deformados pelo calor ou umidade, este é o melhor método a ser empregado. A autoclave é um aparelho que trabalha com temperatura e pressão elevadas. Quando os microorganismos estão diretamente em contato com o vapor a esterilização é mais eficaz. Utiliza-se esse processo para esterilização de meios de cultura, soluções, utensílios e instrumentos.
c) Pasteurização: O mecanismo de ação da pasteurização também é a desnaturação de proteínas. Este método foi desenvolvido por Louis Pasteur em 1846. Consiste em aquecer o produto em uma determinada temperatura, por um certo tempo e logo após, resfriá-lo. Este processo reduz o número de microorganismos, mas não assegura sua esterilização. Muito utilizado na esterilização de leite, creme de leite, cerveja, vinho, etc.

Calor Seco
a) Flambagem: É um método simples, porém muito eficaz. Consiste em colocar a alça de platina diretamente sobre o fogo, oxidando todo o material até virar cinzas.
b) Incineração: Também é muito eficaz. Utilizado para incinerar diversos tipos de materiais, como papéis, materiais hospitalares, carcaças de animais, etc. Também oxida todo o material até virar cinzas.
c) Fornos: Normalmente é utilizado para esterilizar vidrarias. Deve-se atentar bem à relação tempo x temperatura.

Filtração: A passagem de soluções ou gases através de filtros retém os microorganismos, então pode ser empregada na remoção de bactérias e fungos, entretanto, passarão a maioria dos vírus.

Radiações: Dependem do comprimento de onda, da intensidade, da duração e da distância da fonte para esterilizar.

Ionizantes: Utilizam radiações gama, mas tem um custo elevado. Formam radicais superativos e destroem o DNA. Utilizado para esterilização de produtos cirúrgicos.

Não-ionizantes: A mais empregada é a luz ultravioleta, que altera o DNA através da formação de dímeros. As lâmpadas germicidas são de baixo poder de penetração.

Baixas temperaturas: Não têm efeito esterilizante, apenas interrompem o crescimento bacteriano, preservando os microorganismos.

Microondas: As radiações emitidas não afetam o microorganismo, mas geram calor, esterilizando meios de cultura e materiais. Por isso têm sido cada vez mais utilizados.

Indicadores Biológicos: Neste método, suspensões-padrão de esporos bacterianos são submetidos à esterilização juntamente com os materiais a serem esterilizados. Após o processo, os indicadores são colocados em meios de cultura adequados. Se não houver crescimento, é porque o processo de esterilização foi eficiente.

Pressão Osmótica: Quando em contato com meios hipertônicos (alta concentração de sais e açúcares) as células dos microorganismos perdem água por osmose, ficando murchas, impedindo assim o crescimento bacteriano. Método utilizado para conservar alimentos.

Dessecação: Este é um método para preservação de microorganismos. Sabe-se que na ausência de água alguns microorganismos têm o seu metabolismo reduzido e até ausente, porém permanecem viáveis. Através da liofilização a água é removida do interior das células e os microorganismos são preservados em condições especiais de armazenamento e temperatura.  

Bibliografia: Luiz Rachid Trabulsi e Flavio Alterthum. Microbiologia, São Paulo: Atheneu, 2008.


Atividade de microbiologia

GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM – MICROBIOLOGIA E IMUNOLOGIA
Estudando em casa

Atividade de microbiologia




Questão 00 – O que é microbiologia e qual sua origem? É o estudo dos microrganismos que são as formas de vida que, originalmente, só poderiam ser vistas com o auxílio do microscópio óptico (posteriormente, com o microscópio eletrônico). Elas incluem Bactérias, Fungos, Vírus, Protozoários, Algas unicelulares, Viróides e Prions. A palavra MICROBIOLOGIA (introduzida em 1899) vem da junção do elemento de composição grego mikrós- , que significa pequeno e é utilizado em inúmeros vocábulos eruditos, principalmente a partir do séculos XIX, e -biologia (grego bíos, vida + grego lógos, estudo, tratado).
Fonte: http://www.microbiologia.vet.br/Oqueemicrobiologia.htm

Homlapis
Questão 01 – Quais as formas de combate aos microo-organismos? Pode ser por métodos físicos (calor seco, calor úmido, frio, radiação, filtração, etc) ou por métodos químicos (desinfetantes, antissépticos, etc).

Questão 02 –  Os agentes químicos utilizados para essa função podem ser esterilizantes ou desinfetantes. A esterilização  acaba com todas as formas de vida de um material, enquanto os desinfetantes apenas reduzem a carga de microorganismos, a ponto de não oferecer riscos de disseminação. Mas o que deve considerado ao utilizar-se dos desinfetantes? Devemos considerar a limpeza prévia; a carga orgânica existente (pessoas); biocarga (quantidade de micro-organismos); tempo de contato; natureza física do que vai sofrer desinfecção; temperatura; pH e concentração do desinfetante.

Questão 03 – Cite uma forma de eliminação dos micro-organismos por esterilização. Podemos usar o calor seco que pode ser por meio de flambagem ou fornos.

Questão 04 – Complete:

a) Considera-se reprodução sexuada qualquer transferência de material genético para outra bactéria (recombinação genética).
b) Esporulação é uma situação em que a bactéria diminui a espessura da parede celular, desidrata, diminui o seu metabolismo para se defender de uma situação que não seja propícia ao seu desenvolvimento.
c) Existem três formas de reprodução sexuada das bactérias: transformação, transdução e conjugação.

Questão 05 - Em microbiologia, o termo crescimento bacteriano:
a) Refere-se ao aumento do número de células e não do aumento das dimensões celulares. X
b) Refere-se tanto ao aumento do número de células como ao aumento das dimensões celulares.
c) Refere-se somente ao crescimento das dimensões celulares.

Questão 06 - Em quais domínios podemos classificar os seres vivos? Archeae, Bacteria e Eukarya.

Questão 07 - O que diferencia células eucariontes de procariontes? A presença de carioteca.

Questão 08 - Como podemos classificar as bactérias? Podem ser classificadas de acordo sua forma individual (coco, bastonete, bacilo, espiroqueta, vibrião) e de acordo como modo que cocos e bacilos formam suas colonias (diplococos, sarcina, diplobacilos, estafilococos, estreptococos).



Questão 09 - Explique as formas de reprodução sexuada das bactérias.
Transformação: é a incorporação de moléculas de material genético dispersos no meio. Exemplo: material genético de bactéricas mortas.
Transdução: moléculas de material genético são transferidos de uma célula bacteriana para outra através de vírus (bacteriófago)
Bacteriófagos são vírus de DNA ou de RNA que infectam somente organismos procariontes.
Conjugação: É a passagem de moléculas de material genético de uma bactéria para outra através de microscópicos tubos proteicos denominados "pili" que uma das duas bactérias envolvidas no processo possui.

Questão 10 - Fissão binária consiste na geração de duas células filhas bacterianas à partir de uma célula bacteriana mãe com material genético idêntico. Também pode ser chamada de bipartição ou cissiparidade.

Questão 11 - Uma curva de crescimento bacteriano demonstra o crescimento das células durante um período de tempo. Esta curva é obtida quando se realiza a contagem da população em intervalos de tempo. Sobre isso, qual opção é correta?
a) Lag: fase de adaptação.                                b) Log: fase de desenvolvimento e crescimento bacteriano.
c) Estacionária: fase de extinção de nutrientes.           d) Declínio: fase de morte.
e) Todas as anteriores X

Questão 12 - É comum classificarmos os micro-organismos conforme seu comportamento em relação à temperatura em: psicrófilos, mesófilos e termófilos. Os psicotróficos desenvolvem-se bem em torno dos 0º à 20ºC (temperaturas baixas). Os mesófilos desenvolvem-se bem em torno dos 20º a 45ºC, enquanto que os termófilos vivem em temperaturas mais elevadas 45º à 60ºC. Cite exemplos de cada tipo. Psicrófilos: bactérias, bolores e leveduras. De mesófilos temos as bactérias patogênicas. E, termófilos, temos bactérias esporuladas.

Questão 13  - A sensibilidade dos micro-organismos aos antimicrobianos é representada pela Concentração Inibitória Mínima (CIM). O que isso significa? Significa que cada micro-organismo reage de forma diferente para cada antimicrobiano devido a composição desses micro-organismos, daí é necessário analisar a concentração mais eficaz para o que se possa inibir o desenvolvimento, multiplicação ou morte.

Questão 14  - Em microbiologia, o termo crescimento bacteriano:
a) Refere-se ao aumento do número de células e não ao aumento das dimensões celulares.  X
b) Refere-se tanto ao aumento do número de células como ao aumento das dimensões celulares.
c) Refere-se somente ao crescimento das dimensões celulares.

Questão 15 - Como são chamadas as bactérias que causam doenças?
a) cianobactérias     b) fixadoras     c) patogênicas. X     d) bacteriófagos

Questão 16 - Como é chamada a forma de reprodução das bactérias quando elas trocam o material genético entre si?
a) sexuada. X        b) assexuada       c) bissexuada

Questão 17 - (duas palavras) é o termo médico usado para designar a falência circulatória aguda de causa infecciosa. Caracterizada de hipotensão arterial grave e refratária provocada através de germes como bactérias, fungos e vírus, levando a septicemia e comprometimento do sistema circulatório através da dilatação venocapilar. Causas mais comuns: Contaminação de cateteres, sondas vesicais e pneumonias. Existe importante relação entre sepse e infecção hospitalar, germe multirresistente e quadros de deficiência imune. Quais palavras completam o texto? Choque séptico.

Questão 18 - Quando a bactéria encontra um ambiente favorável ao seu desenvolvimento ela sai do estado de (uma palavra) e volta a se desenvolver, aumentando a espessura da parede celular, hidratando-se novamente e ativando seu metabolismo.  Qual palavra completa o texto? Esporulação.

Questão 19Quando o tempo esfria, aparecem fungos e bolores em certos ambientes, a exemplo do nosso closet. Esses fungos e bolores são exemplo de psicrófilos, mesófilos ou termófilos? Psicrófilos (se desenvolvem bem em temperaturas baixas - em torno dos 0º à 20ºC)


Utilizo-me deste instrumento para organizar trabalhos, atividades diárias, ideias ou artigos pertinentes ao meu dia a dia acadêmico. Não tem finalidade comercial ou divulgação de pessoas e outros. Por conseguinte, disponibilizar àquele que julgar útil. Cleo *)